S01EP05 – Aphra Behn e o romance abolicionista Oroonoko (1688)

Artigo, Resenha

Nesse episódio, falo sobre a escritora inglesa Aphra Behn e seu romance abolicionista Oroonoko (1688).

Para ouvir: Spotify / Anchor / Youtube / PocketCasts / iTunes / Stitcher / Overcast

Para participar e enviar mensagens de voz: https://anchor.fm/julianabrina/message

Livro discutido no episódio


Livros sobre a escritora


Transcrição do episódio

“Olá,

Meu nome é Juliana e esse é o podcast Clássicxs sem Classe, no qual eu discuto clássicos escritos por mulheres pouco lidas, não traduzidas, excluídas do cânone ou esquecidas, bem como clássicos da literatura queer. Tudo sem a menor classe, claro.

No episódio anterior, falei sobre a autora Júlia Lopes de Almeida, e convidei vocês para lerem comigo e com a Paula, do blog Pipa Não Sabe Voar, o romance mais famoso da autora: “A falência”, publicado originalmente em 1901, e que pode ser baixado gratuitamente no site domínio publico. Nos vamos ler o livro para a terceira semana de Maio, e vamos gravar um episodio juntas para discussão da obra.

Recebi muitas mensagens depois desse episodio sobre a Julia, e gostaria primeiramente de agradecer a todos que tomaram seu tempo para ouvi-lo, comenta-lo, e compartilha-lo. Na segunda parte do episodio de hoje, eu falo mais um pouco sobre essas mensagens que recebi, mas já adianto que muitas pessoas manifestaram o desejo de participar da leitura conjunta, entao quero deixar aqui meu agradecimento: sejam todos bem-vindos!

E se quiserem participar do episodio com seu depoimento sobre o livro, e so gravar um arquivo de áudio e me enviar, que acrescentarei esse áudio ao episodio. Vocês também podem me mandar mensagens de voz pelo aplicativo Anchor, com sua opinião sobre o livro. Entao, se vocês escutam o podcast pelo aplicativo Anchor, e so me mandar uma mensagem por la. Caso vocês não queiram enviar uma mensagem de voz, basta me enviar uma mensagem escrita, e eu a lerei no episodio. Enfim, se vocês tiverem alguma observação, opinião, pergunta ou sugestão relativas ao livro, e só me mandar pelas redes sociais do podcast. E vocês podem encontrar a Paula no Instagram, no perfil @pipanaosabevoar. Os links como sempre estarão no box de informações desse episodio.

Bom, feito esse breve intervalo, eu passo primeiramente ao tema do episódio de hoje e em seguida comento as mensagens sobre o episodio anterior. Hoje, eu dou um salto para o passado e falo sobre a escritora

Aphra Behn e o surgimento do romance


Todas as mulheres reunidas deveriam jogar flores sobre a sepultura de Aphra Behn, que fica, escandalosa e apropriadamente, na Abadia de Westminster, por ter sido quem conquistou para elas o direito de dizerem o que pensam. É ela – sombria e amorosa como era – que faz com que não seja um absurdo que nesta noite eu lhes diga: ganhem quinhentas libras por ano em troca de suas habilidades. – Virginia Woolf, Um Teto Todo Seu, tradução Bia Nunes de Sousa


Aphra Behn, considerada como a primeira escritora inglesa a viver da escrita, a primeira mulher na Inglaterra a ser conhecida como escritora profissional, é uma das pioneiras do que veria a se tornar o gênero romance de ficcao. Ela nasceu, provavelmente, em 14 de Dezembro de 1640, foi poeta, dramaturga, tradutora e prosadora, e sua vida mais parece um livro de aventuras mirabolantes.

Informaçoes sobre vida de Aphra sao escassas e envoltas em mitos e boatos, e isto pode ter sido, em parte, intencional. A autora deu aos relatos de sua vida um tom auto ficcional, e misturou relatos sobre si mesma e historias por ela criadas.

Aphra veio de um background obscuro, possivelmente era filha de um barbeiro, e a maior parte de sua história de vida é suposição. O que se sabe sobre ela com alguma certeza é que ela foi uma espiã para Charles II na Antuérpia e que ela baseou seu trabalho mais conhecido, o romance Oroonoko, considerado um dos primeiros livros abolicionistas, em uma suposta viagem ao Suriname.

Uma versão de sua vida diz que ela era filha de um barbeiro chamado John Amis e sua esposa Amy. Outra história diz que Aphra nasceu de um casal chamado Cooper. Ainda outra versão afirma que Behn era filha de Bartholomew Johnson, um barbeiro, e Elizabeth Denham, uma ama de leite.  Alguns afirmam que ela tinha uma irmã chamada Frances.

Uma versão da história de Behn afirma que ela viajou com Bartholomew Johnson para o Suriname, em 1663, que ele teria sido nomeado como tenente-general na colônia mas morrido durante a viagem, e que sua esposa e as crianças teriam passado alguns meses no país, mas não ha nenhuma prova disso. Nos so temos a palavra de Behn, que posteriormente afirmou que, naquela viagem, teria conhecido um líder nativo tornado escravo, cuja história teria servido de base para o romance Oroonoko, que comentarei mais a frente. As mas línguas dizem que ela tenha atuado como uma espiã na colônia. Ninguem sabe ao certo.

Quando ela voltou do Suriname, Aphra pode ou não ter se casado com Johan Behn, um comerciante de origem alemã ou holandesa. Ninguem sabe se ele morreu ou se o casal se separou, mas o fato e que a partir de 1666, Aphra passou a assinar como “Sra. Behn” como seu nome profissional.

Ainda nesse período, ela atuou como espia ao serviço do rei Charles II, que a mandou em missão a Antuérpia, para que informasse sobre os exilados ingleses que conspiravam contra o rei. Seu codinome pode ter sido Astrea, um nome sob o qual mais tarde ela publicou muitos dos seus escritos. Houve um boato de que o rei não lhe pagou pelos serviços prestados, e que após o seu regresso a Londres, Aphra passou um breve período presa pelas dividas que contraira.

Sem dinheiro, ela começou a trabalhar como escriba da King’s Company e da Duke’s Company, o que eventualmente a levou a escrever peças de teatro, particularmente comédias, que se tornaram bastante populares na epoca. Sua primeira peça, The Forc’d Marriage, foi encenada em 1670, e Behn jurou para si mesma – teve aquele momento Scarlett O’Hara de levantar os punhos ao ceu – jurou que nunca mais dependeria de nenhum homem para viver. E assim foi.


“Ela fora filha de um colono, esposa, viúva e espiã, conheceu uma breve prosperidade, vivenciou os extremos da pobreza e do desespero, conheceu o interior de uma prisão de Londres; agora, ela se lancou no mundo de Londres, para fazer seu caminho, levando consido a experiência dos trinta anos que tinha atrás dela. Eles haviam lhe ensinado alguma coisa; eles a ensinaram, finalmente, a determinar sua vida; eles a ensinaram a tomar para si o que ela desejava.” – Vita Sackville-West, na biografia Aphra Behn: the Incomparable Astrea (Aphra Behn: a Astrea Incomparável, 1927, tradução minha)


A escritora Vita Sackville-West, que manteve um breve relacionamento amoroso com Virginia Wolf e e mais conhecida por te-la inspirado a escrever o romance Orlando (1928), escreveu uma briografia de Aphra Behn, publicada em 1927. E uma biografia curta, mas rica em atmosfera, na qual Aphra aparece como uma dessas figuras que parecem maiores que a vida. Na obra, Vita também descreve a Londres em que Aphra viveu e as pessoas que a cercaram; e escreve breves apreciações criticas das obras da autora.

Aphra ganhou a vida no teatro e depois, quando o teatro deixou de dar dinheiro, começou a atuar como romancista, mas no fundo ela sempre quis ser reconhecida como poeta. No total, ela escreveu e encenou 19 peças, três romances (ou proto-romances) e inúmeros poemas, e durante os anos 1670 e 1680, foi uma das dramaturgas mais produtivas na Grã-Bretanha. Aphra ganhou entre seus contemporâneos a reputação de libertina, fundada principalmente em suas peças “escandalosas”, e ela alegou que não teria sido criticadas dessa forma por imoralidade e impropriedade se ela tivesse sido um homem.

Em sua poesia, Aphra abordava tópicos como o amor, a sexualidade feminina e o prazer, e chegou a ser considerada como a sucessora inglesa de Safo, e a ser chamada de “A Incomparável Astrea”. Em um de seus poemas narrativos mais conhecidos, ela aborda um caso de tentativa de estupro e impotência sexual masculina – o poema se chama The Disappointment – “A decepção”, para vocês verem como Aphra era acida e nada sutil.

Com sua audaciosa voz poética, Aphra também abordava eventos politicos e satirizava a sociedade da época em seus poemas, por meio do uso de alegorias. Varios poemas também apresentam personagens com atributos de ambos os sexos, e figuras andróginas ou hermafroditas, bem como temas homoeróticos. Aphra aborda temas considerados não convencionais e ate mesmo escandalosos, e o faz por meio da adoção de formatos poéticos convencionais e clássicos. Outro ponto fora da curva e a época não convencional em sua escrita e a adoção da perspectiva de uma mulher para contar uma historia.

Nas obras de Aphra, são os homens que são julgados a partir da perspectiva das mulheres, e não o contrario. As mulheres, na obra dela, não são tolas indefesas, e os homens não são heróis honrados. As mulheres não são invejosas ou vingativas umas com as outras. Elas eram astutas e assertivas – e penso que as heroínas de Jane Austen tem um pouco das mulheres tal como representadas por Aphra.


“Assim, quando uma mulher começa a escrever um romance, ela descobre que desejara perpetuamente alterar os valores estabelecidos – para tornar sério o que parece insignificante para um homem, e trivial o que para ele é importante. E, por isso, ela sera criticada: porque o critico do sexo oposto se sentira genuinamente perplexo e surpreso por essa tentativa de se alterar a escala de valores atual, e ele vera nisso não uma mera diferença de perspectiva, mas uma perspectiva que e fraca e trivial, ou sentimental, porque diferente da dele.” – Virginia Woolf, no ensaio Women and Fiction (Mulheres e ficcao, de 1929, tradução minha)


Apos o fim de seu casamento (ninguém sabe se o marido morreu ou se se separaram), Aphra manteve relações amorosas com mulheres e homens, e seu principal relacionamento reconhecido publicamente foi com um homem queer, John Hoyle, que também teve uma vida marcada por escândalos.

Assolada pela pobreza e dívidas, Aphra Behn morreu em 16 de Abril 1689, aos 48 anos, e foi enterrada na Abadia de Westminster. Na inscrição em sua sua lápide se lê: “Aqui jaz uma prova de que humor nunca e defesa suficiente contra a mortalidade.” (traducao minha)

Durante sua carreira, Aphra sempre sublinhou que sua obra era julgada por homens como uma obra escrita por uma mulher. E, como uma mulher que ousou ser bem sucedida em um meio masculino, e que se atreveu a fazê-lo escrevendo por dinheiro, e mais escrevendo entre outras coisas, sobre sexo e politica – temas considerados proibitivos para as mulheres da epoca, Aphra logo foi considerada uma mulher de baixa moral.

A reputação de Aphra e um sinal do dilema a que estavam submetidas a escritoras de seu tempo: se escolhiam explorar tópicos considerados femininos, como temas domésticos por exemplo, eram consideradas escritoras de menor importância; se escolhiam tratar de temas ditos masculinos – politica e sexualidade, por exemplo – , eram taxadas de imorais.

Em vida, Aphra escolheu usar a seu favor a reputação negativa que lhe foi imposta. Ela era mestre em manipular ficção erealidade, brincando com a zona cinzenta entre autor e narrador, e usando em sua ficcao alguns dos mitos e boatos sobre sua vida. Ela mistura ficção, autobiografia e auto-propaganda, o histórico e o ficcional, o narrador, a persona pública e a pessoa privada Aphra. Quando pesquisamos a biografia de Aphra, não podemos deixar de pensar na problematização (hoje bastante contemporânea) da relação entre fato e ficção.


“Uma coisa que me atrevo a dizer, embora seja contra a minha natureza, porque há uma certa vaidade nisso: se as peças que escrevi tivessem saído sob o nome de qualquer homem, e ninguém nunca tivesse tomado conhecimento de que eram minhas, eu apelo a todos os juízes imparciais da razao, se eles não as teriam considerado comédias tao boas, quanto as de qualquer homem que tenha escrito em nossa época; mas há um diabo nisso, a mulher amaldiçoa o poeta ”. – Aphra Behn, prefacio da peca The Lucky Chance (1686), tradução minha


Depois de sua morte em 1689, a obra literária de Behn foi marginalizada e ridicularizada como obscena e por ser escrita em um “estilo masculino”. Dale Spender, na obra Mothers of the Novel (1986) sugere que há uma ligação entre o fato de que Aphra foi taxada como imoral e o fato de que ela foi expulsa do mainstream literário apos sua morte, quando sua obra foi considerada como impropria para o estudo. Houve reiteradas tentativas de provar que Aphra não existiu, que se existiu não fez o que ela disse que fez, e que o que ela fez era improprio para a leitura. E realmente surpreendente que a obra de Aphra tenha sobrevivido a tantos ataques – e isso, o próprio fato de que essa obra sobreviveu, nos diz algo sobre seu significado para a literatura.

No século XVIII, Alexander Pope escreveu sobre ela “Quão frouxamente Astrea pisa no palco, ao colocar todos os personagens na cama!“. Especialmente no apogeu vitoriano no século XIX, os escritos de Behn foram considerados moralmente impróprios. Até meados do século 20, Behn foi repetidamente rejeitada como escritora menor, moralmente depravada. Na década de 1950, Aphra foi entao incluída na obra British Authors Before 1800: A Biographical Dictionary, no qual Edmund Gosse a chamou de “… a George Sand da Restauração”. Mas o processo de redescobrimento de Behn apenas veio a ganhar forca a partir de 1970, pelos trabalhos de, entre outras, Moira Ferguson, Jane Spencer, Dale Spender, e Janet Todd.

Havia mulheres contemporâneas a Aphra que escreviam, mas, ao contrário dela, elas eram provenientes da classe aristocrática e não escreviam por dinheiro. Em seus prefácios, essas escritoras amadoras geralmente avisavam aos leitores em potencial que a obra a ser lida foi escrita por um membro do “sexo fragil”, como se pedissem desculpas antecipadamente por terem escrito. Aphra Behn não pedia desculpas. Ela não pedia permissão nem pedia por aceitação, e obteve um sucesso marcante em seu tempo justamente por se manter fora das convenções.

Muito antes de Robinson Crusoe de Daniel Defoe (1719) e de Pamela de Samuel Richardson (1741), Aphra publicou o romance epistolar erótico Love Letters Between a Nobleman and his Sister (1683, “Cartas de amor entre um nobre e sua irma”) e o romance abolicionista Oroonoko (1688).

Da considerável produção literária de Behn, apenas o romance Oroonoko foi seriamente considerado pelos estudiosos de literatura, e é hoje considerado um dos primeiros romances da literatura inglesa, e um dos primeiros livros abolicionistas e anticolonialistas publicados na língua inglesa.

A obra narra as desventuras de Oroonoko, neto de um rei africano, capturado como escravo e conduzido, juntamente com sua amada Imoinda, ao Suriname, então uma colônia inglesa nas Antilhas.  Indignado com as condições de vida, Oroonoko organiza e lidera uma rebelião dos escravos locais, e e severamente punido. Oroonoko planeja entao matar o governador local e, por temer que sua amada, Imoinda sofra algum tipo de violência ou retaliação se ele for preso e executado, Oroonoko planeja matá-la também.  E a historia se desenrola a partir disso.

O romance e escrito em um tom coloquial, e o narrador se insere a todo momento na historia, o que faz com que essa se assemelhe a uma conversa com o leitor. E essa e também uma inovação de Aphra Behn, porque esse tom mais cotidiano não costumava ser comum em livros de prosa anteriores. Além disso, o narrador se coloca como parte da narrativa, participa da história também.

Behn não estava apenas determinada dar uma banana para as convenções de seu tempo, ela também buscava virar completamente a mesa. Oroonoko não sugeria simplesmente que a escravidão era vil e imoral, mas que, longe de serem selvagens, os escravos eram aqueles providos de moral. Aphra deixa claro que eram os colonos que eram os bárbaros selvagens imbuídos de hipocrisia, e eram eles que deveriam aprender algo com as pessoas que eles mantinham cativas. Ao mesmo tempo, ela também conseguiu incluir na obra uma declaração poderosa sobre a impotência política das mulheres.

Como um romance de seu tempo, Oroonoko não e desprovido de pontos problemáticos. Seria diacrônico afirmar que se trata de uma obra ou e uma autora feministas – porque esse termo aquela época sequer existia com o sentido que temos hoje -, mas fica em aberto uma outra questão: sera que podemos fazer hoje uma leitura feminista dessa e das demais obras de Aphra Behn? Eu deixo essa pergunta para vocês. O que vocês acham?

No Brasil, o romance Oroonoco foi traduzido por Évilo Antônio Funk e relançado em 1999, pela Editora Mulheres. Ainda deve ser possível achar essa obra em sebos. E, para quem le inglês, a obra esta em domínio publico e pode ser encontrada em formato eletrônico no site Project Gutenberg. Tambem ha edições impressas da obra de Behn pela editora Penguin e pela Virago Modern Classics.

Há pouca evidência verificável para confirmar qualquer história sobre a vida de Aphra. Ninguém sabe realmente seu nome de nascimento ou quando exatamente ela nasceu. O nome dela não é mencionado nos registros fiscais nem nos da igreja e, durante sua vida, Aphra também era conhecida como Ann Behn, Mrs. Bean, agente 160, e Astrea.

A sua vida, envolta em segredos, prestou-se a confusões e especulações.  Em uma mesa-redonda sobre Aphra Behn na Sorbonne, em 1999, Germaine Greer se referiu a escritora como um “palimpsesto”, uma superfície cujo texto foi apagado e reutilizado, depois apagado e escrita novamente, de modo que cada reescrita deixou vestígios do que tinha sido escrito antes. Só que, como observou Greer, foi a própria Behn quem fez esse ato de apagar e escrever por cima, esse ato de rabiscar-se.

A biógrafa de Aphra, Janet Todd, na obra The Secret Life of Aphra Behn (1997), observou que Behn e “uma combinação letal de obscuridade, sigilo e encenação, o que a torna um elemento desconfortável para qualquer narrativa, seja essa especulativa ou factual. Ela não é tanto uma mulher para ser desmascarada, mas sim uma combinação interminável de máscaras“.

E e nesse espirito que eu deixo termino essa primeira parte do episodio de hoje, e espero te-los inspirado a se adentrarem por esse baile de mascaras que e a vida e a obra de Aphra Behn.


Agora, nos temos o segmento voltado para a palavra dos ouvintes do podcast.

Sobre o episodio anterior, eu recebi algumas mensagens no Instagram:

A Camila Navarro, do blog, canal e perfil do Instagram @Viaggiando, escreveu:

Acabei de ouvir agora. Adorei! Engraçado você o ter citado, pois descobri a Julia justamente num texto do Luiz Ruffato. Ele citava A Viúva Simões como um dos melhores romances brasileiros. Foi o primeiro dela que li. Depois li A Falência e o próximo deve ser A Intrusa, que comprei na recente edição da Pedra Azul. A história dela me fascina e seu apagamento me dá raiva. Ainda bem que está havendo um resgate, dela e de outras escritoras esquecidas. Que tal então um episódio sobre Maria Firmina dos Reis?”

Obrigada Camila! Se você quiser participar do episodio sobre a Falencia, e so falar. E esta anotada a sugestão de lermos Maria Firmina dos Reis – a Paula também já sugeriu a autora. E lanco o convite para todos vocês: vamos ler Ursula, da Maria Firmina?

Sobre Julia Lopes de Almeida, a Camila também publicou um vídeo fantástico, vou deixar o link aqui no box de descrição do episodio.

Mariana Marques, do perfil do Instagram @aterceiramargemdorio, escreveu:

Oie, Juliana! Acabei de ouvir o podcast sobre a Júlia. Fui à exposição Pioneiras q tá rolando na biblioteca Márcio de Andrade e vi o nome dela e fiquei curiosa. Adorei a citação de ânsia eterna q vc escolheu, acho q representa bem a ruptura do “estereótipo lit feminina” de a mulher só escreve coisas “fofas” etc. Outra coisa q me chamou atenção: vc cita uma ou duas (agora não sei se é a mesma) pesquisadoras de Julia Almeida e quem foi escolhido pra prefaciar a reedição da penguin? Um homem. As estratégias de nomes conhecidos das editoras pra vender passaria por cima da escolha de chamar pessoas q provavelmente conhecem mais a obra da autora? Fiquei pensando nisso. Eu qro ler a falência com vcs. Espero q consiga. Vou dando noticias. Ah, e adorei o podcast! Parabéns e vida longa

Muito obrigada, Mariana! Adorei conhecer seu perfil do Instagram. Como eu já disse por la, seja bem-vinda à leitura conjunta! Se você quiser participar do episodio sobre o livro, e so falar! De fato, há outras pesquisadoras da obra de Júlia, e a Norma Telles é hoje uma das maiores conhecedoras do tema (como o foi Zahide Muzart). Mas, pelo que eu saiba, o Ruffato também tem pesquisado a obra dela há algum tempo.

A Aline Aimee, do canal do Youtube Chave de Leitura, escreveu:

“Ju, queria te dar o feedback de que, quando eu estava fazendo a prática de ensino, no Colégio de aplicação da Uerj, vi um professor de literatura do ensino médio não só citar a Julia, mas incluí-la no plano de leituras da turma (para o seminário de um grupo, se lembro bem). Cheguei a ouvir meu orientador do mestrado falar alguma coisa sobre ela também, mas infelizmente nunca li. Vou ler com vocês e parabéns pela iniciativa! Queria completar que, talvez, tenha ouvido sobre ela aqui no Rio por ela ter nascido na cidade. É uma hipótese. O João do Rio, citado no episódio, foi muito lido e comentado na minha especialização.”

Muito obrigada, Aline! Como eu disse la no Instagram, Ttalvez ela seja mais conhecida no Rio mesmo, e em Santa Catarina, por conta da linha de pesquisa da Zahide. Adorei o feedback 🙂 E seja bem-vinda à leitura conjunta! Se quiser participar do episodio sobre o livro, e so falar!

A Alê Magalhães, do perfil do Instagram @Literaleblog, escreveu:

Adorei o podcast. Quero agradecer muito ao @wolneyfernandes por ter indicado ontem o seu programa. Gosto muito da Júlia Lopes de Almeida e já dei uma aula sobre ela na disciplina que uma amiga dá na Uerj. Quero participar com vocês da leitura compartilhada de A falência. Abraço.

Muito obrigada, Alê! Adorei conhecer seu perfil do Insta. E seja bem-vinda à leitura conjunta. Como eu já te disse por la, se quiser participar do episódio sobre o livro com seu depoimento, é só falar!

O Wolney Fernandes, no Instagram, escreveu:

“Oi, Juliana, tudo bem? Estou acompanhando seu podcast e a cada episódio fico duplamente espantado. Por um lado, o espanto vem por conta dessas invisibilidades que encobrem estas tantas escritoras que você tem mencionado e outras mais; e, por outro, o espanto aparece em função da qualidade de sua pesquisa em torno da obra dessas mulheres. Parabéns pelo trabalho primoroso, permeado por um cuidado que dá gosto de ouvir e sentir.

Aproveito esse contato para lhe dizer que vou entrar no bonde de leitura da obra da Júlia Lopes de Almeida com você e a Paula. Nunca tinha ouvido uma menção sequer a autora e exatamente por isso quero muito conhecer essa obra que você indicou.

Você perguntou no finalzinho do último episódio se a gente tinha alguma autora que estaria dentro deste campo das esquecidas e logo me lembrei de um livro que eu comprei recentemente por conta de um outro podcast que escutei chamado narrativas da editora carambaia. Nele há um episódio sobre mulheres e literatura onde uma das participantes cita essa obra abaixo [aqui ele acrescenta a foto do livro Enervadas da escritora Chysanteme, publicado pela Carambaia]

Apesar desse nome afrancesado a autora e brasileira e produziu bastante no início do século 20. O livro foi lançado recentemente pela editora carambaia e se você ainda não conhece fica como sugestão para algum episódio futuro. Se você ainda não conhece o podcast vou tentar colocar o link aqui. grande abraço e parabéns mais uma vez pelo trabalho.”

Muito obrigada, por esse incentivo, Wolney. Como eu já te disse no Instagram, seja bem-vindo na leitura da Falência, e se quiser participar do episódio mandando seu depoimento é só falar, eu fico feliz que você vai ler a obra com a gente. Eu não conheci o podcast que você mencionou e eu escutei ainda aquele dia que você me passou o link, e gostei demais – inclusive, na sequencia, eu acabei ouvindo também o episodio que eles fizeram sobre literatura queer e gostei muito. Eu vou deixar o link do podcast citado pelo Wolney aqui na caixa de descrição desse episódio.

E essa autora a Chrysanteme é uma excelente sugestão para o clássica. Obrigada pela recomendação, Wolney, e eu lanco aqui para todos vocês ouvintes do podcast o convite: que tal fazermos uma leitura conjunta das obras indicadas pela Camila e pelo Wolney:

Que tal lermos juntos Ursula e Enervadas? Quem anima de participar? Eu jogo a bola para vocês.

Eu gostaria de agradecer ainda Paula Dutra, Aline Aimee, Wolney Fernandes, e Camila Navarro, pelo apoio, por terem compartilhado o podcast no Instagram, no Youtube, e no Twitter. Obrigada! Se por acaso você também compartilhou o podcast e eu não vi, obrigada! E so me marcar na publicação, para que eu possa ver e agradecer aqui da próxima vez.


Poema falado

Agora, ao final do episodio, e hora do nosso Poema falado, um segmento dedicado à leitura de poesia. Espero que gostem.

Leio agora o poema Armado Amor (Love Armed), de Aphra Behn, em tradução minha.  O original pode ser encontrado na peca The Moor’s Revenge, publicada em 1677.


Armado amor

Sentou-se o Amor em pródigo triunfo
Enquanto ao seu redor corações sangravam
Para os quais ele criara dores recentes
E revelara estranho e tirânico poder;
De teus olhos acesos ele tomou o fogo
Que, por diversão, ao redor, ele lançava
Mas foi dos meus que ele tomou o desejo
O suficiente para desfazer o mundo amoroso.

De mim ele tomou suspiros e lágrimas,
De ti, Orgulho e Crueldade;
De mim, langor e medo,
E cada dardo mortal, de ti;
Assim, tu e eu, armamos Deus,
E em divindade o erigimos;
Mas apenas meu pobre coração está ferido
Enquanto, vitorioso, o teu está livre.


Original:

Love Armed

Love in Fantastic Triumph sat,
Whilst Bleeding Hearts around him flowed,
For whom Fresh pains he did Create,
And strange Tyrannic power he showed;
From thy Bright Eyes he took his fire,
Which round about, in sport he hurled;
But ’twas from mine he took desire
Enough to undo the Amorous World.

From me he took his sighs and tears,
From thee his Pride and Cruelty;
From me his Languishments and Fears,
And every Killing Dart from thee;
Thus thou and I, the God have armed,
And set him up a Deity;
But my poor Heart alone is harmed,
Whilst thine the Victor is, and free.


É isso, pessoal.

No próximo episódio, como prometido, faremos a discussão da obra “A falência”, de Júlia Lopes de Almeida. E espero que vocês se animem a ler conosco essa obra!

Se vocês tiverem algum comentário, sugestão, critica, ou pergunta, ou mesmo se quiserem participar do podcast, basta entrar em contato comigo por minhas redes sociais, que estarão linkadas nas show notes desse episódio. Eu sou @blankgarden no Instagram, e @ablankgarden  no Twitter. Caso vocês estejam ouvindo o podcast no aplicativo Anchor, vocês também podem me mandar mensagens de voz por lá. Também disponibilizo as transcrições de cada episódio na página do podcast, para quem não tem condições de ouvi-los. Todos os links vocês encontram no box de descrição desse episódio.

E agora eu tenho uma pergunta para você que me ouviu até aqui: Voce já leu algum livro de Aphra Behn? Há algum outro livro ou autora que você gostaria que eu abordasse aqui? E so deixar sua opinião ou comentário nas redes sociais do podcast.

Muito obrigada por terem escutado até aqui. Espero que tenham gostado, e até o próximo episódio!


Esse episódio foi escrito, produzido e apresentado por Juliana Brina, em maio de 2019. A musica tema foi baseada na peca As Quatro Estacoes – Inverno, Concerto No. 4 em Fá menor, 1. Movimento,  Allegro non molto (em mi menor), de Antonio Vivaldi, Composta em 1723, executada por John Harrison e Wichita State University Chamber Players, com direção de Robert Turizziani, gravada em February 6, 2000, e disponibilizada para uso gratuito, na Wikimedia Commons, pelo detentor dos direitos autorais.


Caso tenha alguma sugestao ou queira participar de algum episódio do podcast (é tudo caseiro, nao se acanhe), é só entrar em contato comigo. Basta comentar aqui ou me enviar uma mensagem por meio de minhas redes sociais: Instagram / Twitter / Blog / Outros

Caso tenha interesse em comprar quaisquer dos livros citados nesse episódio, considere usar meu link de afiliado. Para cada livro que você compra usando este link, eu ganho uma pequena comissão – você não paga nada a mais por isso, e o frete é grátis em todo o mundo. Você também pode doar qualquer quantia de dinheiro para o podcast. Obrigada ❤

Até o próximo episódio,

J.

2 comentários sobre “S01EP05 – Aphra Behn e o romance abolicionista Oroonoko (1688)

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