S01EP10 – Autoras lidas por Jane Austen (II): Maria Edgeworth e seu romance Belinda (1801)

Ensaio, Resenha

Nesse episódio, dou continuidade à serie sobre escritoras lidas por Jane Austen, e falo sobre Maria Edgeworth e seu romance Belinda (1801).

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Livro discutido no episódio:


Livros sobre Maria Edgeworth:


Transcrição do episódio:

“Olá,

Meu nome é Juliana e esse é o podcast Clássicxs sem Classe, no qual eu discuto clássicos escritos por mulheres pouco lidas, não traduzidas, excluídas do cânone ou esquecidas, bem como clássicos da literatura queer. Tudo sem a menor classe, claro.

No episódio anterior, eu dei início a uma serie sobre escritoras lidas por Jane Austen e falei sobre a autora Frances Burney e seu romance Evelina (1778). Hoje, eu dou continuidade à série e falo sobre a autora anglo-irlandesa Maria Edgeworth. Mas antes, eu gostaria de fazer alguns comunicados rápidos.

Eu criei um grupo no Goodreads para quem quiser debater os livros e autoras mencionados no podcast, e, na sequencia, criei o desafio literário 2020 do Clássicxs Sem Classe, que consiste em um bingo literário, o Bingo Sem Classe. Ao completar o bingo, cada participante concorre ao sorteio de um livro da editora Persephone Books, mencionada no segundo episódio do podcast. Vocês encontram a cartela do bingo e as regras de participação na página do podcast. Todos os links estarão no box de informação desse episódio. Na página do podcast, vocês também encontram as listas dos livros mencionados em cada episódio, bem como listas de livros sobre as autoras abordadas.

Eu gostaria ainda de agradecer a todos que tomaram seu tempo para ouvir e comentar o episódio anterior, e em especial à Paula do perfil @pipanaosabevoar, Leticia do perfil @mamaeliteraria, Aline Aimee e Mika Andrade, dos perfis de mesmo nome, que compartilharam o episódio no Instagram. E Juju Gomes, Camila Navarro, Juliana Leurenroth, Carla Gaciane, e Sofia Soter que compartilharam o Bingo Sem Classe no Twitter. Obrigada, gente! Se por acaso você também compartilhou o podcast e eu não vi, obrigada! E só me marcar na publicação, para que eu possa ver e agradecer aqui da próxima vez.

Bom, sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Quais autoras Jane Austen leu?

Eu decidi que não vou mais gostar de romances, a não ser dos livros de Miss Edgeworth, os seus e os meus.” Jane Austen, em carta de 28 de setembro de 1814, para sua sobrinha Anna Austen Lefroy, em tradução minha.


Jane Austen era uma leitora ávida, mas, devido às limitações de seu orçamento pessoal, ela raramente comprava livros. Nós sabemos que ela leu os livros da biblioteca de seu pai, mas essa biblioteca foi vendida após a morte dele. Ela também era frequentadoras das bibliotecas das cidades em que morou, as chamadas circulating libraries, cujo acesso exigia o pagamento de uma taxa de inscrição. Austen ainda obtinha livros emprestados por meio das sociedades e associações literárias de que participava, e, após começar a publicar seus livros, ela sempre pedia de seu editor acesso às últimas publicações. Ela também leu os livros da biblioteca de seu irmão, a Godmersham Library. É curioso que, no final das anotações do catálogo dessa biblioteca, um pequeno número de livros é registrado como tendo sido “removido para a sala de estar”. Presume-se que esses eram os livros favoritos da família, os livros que deviam ter um lugar de destaque na casa. Entre esses livros tão preciosos estão, além é claro de todos os seis romances da própria Austen, as obras de Frances Burney, que mencionei no epidódio anterior, e de Maria Edgeworth.

No quinto capítulo de Nothanger Abbey (A Abadia de Northanger), no qual nós acomapanhamos o fortalecimento da amizade entre Catherine Morland e Isabella Thorpe, o que se revela, entre outros, pelo fato de que elas gostam de se isolar para ler romances, Jane Austen fez uma defesa do romance como gênero literário digno de atenção e respeito tanto quanto os demais, e nesse trecho ela citou os romances que tinha em alta estima, Cecilia e Camilla, de Fanny Burney e Belinda, de Maria Edgeworth.

E é essa autora que vou examinar nesse episódio.

Pois bem, quem foi entao Maria Edgeworth?

Eu realmente acho que, se meus pensamentos e sentimentos estivessem presos dentro de mim, eu explodiria em uma semana – como um motor a vapor, sem sequer um estalo do que agora chamamos pelo seu nome mais grandioso de válvula de segurança.” Maria Edgeworth, em uma carta de 1821 à sua tia Ruxton, em tradução minha

Maria Edgeworth, nascida em 1 de Janeiro de 1768, é uma escritora anglo-irlandesa.

Até os cinco anos de idade, Maria viveu com a família de sua mãe, na Inglaterra. Quando Maria tinha cinco anos, sua mãe faleceu, e, pouco depois, quando o pai se casou novamente, em 1773, a família mudou-se para a Irlanda. O pai viria a se casar quatro vezes, e viria a ter 22 filhos no total.

Quando a segunda esposa do pai adoeceu, Maria foi enviada a uma escola para garotas, em Derby, na Inglaterra em 1775. Depois da morte dessa madrasta, em 1780, o pai se casou com a irmã dessa segunda esposa, e Maria foi transferida para um internato Londres. Pouco depois, como a filha mais velha, Maria muda-se de volta para casa, na Irlanda, em 1782, aos quatorze anos, para cuidar de seus irmãos mais novos. A partir de entao, ela passa a ser educada em casa, e tem uma formação abrangente que engloba tópicos como direito, economia, literatura e ciência.

Já nessa época, em 1783, Maria, inspirada por Evelina, de Fanny Burney, fez primeiras tentativas de escrever um romance, e iniciou uma colaboração profissional e acadêmica com seu pai, que se tornou uma espécie de editor e consultor literário para ela.

Maria também ajudava o pai com a administração dos assuntos domésticos, lidava com inquilinos dos terrenos da família, e gerenciava a propriedade da família em geral. Encorajada pelo pai, Maria começou a escrever histórias para os irmãos, e, mais tarde, veio a publicar essas histórias, em 1796, em uma coletanea didática denominada The Parents’ Assistant (O Assistente dos Pais).

Em 1797, a terceira esposa do pai morre, e ele se casa novamente, em 1797, com uma mulher cerca de dois anos mais nova que Maria, e essa quarta esposa vem a se tornar uma espécie de amiga confidente da Maria ao longo de toda sua vida.

Após o enorme sucesso de seu primeiro romance, Castle Rackrent (1800), Maria, com o incentivo do pai, começou a produzir, em ritmo frenético, uma série de romances e contos – que ela preferia chamar de “Moral Tales” (contos morais, histórias morais). Em 1812, ela era provavelmente a romancista mais bem-sucedida de seu tempo, e chegou a ganhar um adiantamento de cerca 2.000 libras por seu romance Patronage (1814). Para se ter uma ideia, no mesmo ano, Walter Scott ganhou £ 700 pela obra Waverley, e Austen pagou para publicar Mansfield Park.

Edgeworth nunca se casou. Aos trinta e quatro anos, ela recebeu uma proposta de casamento de um diplomata sueco, mas decidiu recusá-lo, porque se sentia incapaz de suportar a idéia de morar tão longe da casa do pai.

Após a morte de seu pai, em 1817, a propriedade da família passou para as mãos do irmão mais velho, que era um alcoólatra e acabou por acumular uma dívida correspondente ao que hoje seria quase 3.000.000 de libras. Maria então deu um basta, decidiu tomar as rédeas dos negócios da família, passou a se dedicar integralmente à tarefa de resgatar propriedade da família: ela economizava em todas as áreas que podia, e conseguiu persuadir vários membros da família a emprestar dinheiro. E ao final ela conseguiu amealhar dinheiro suficiente para pagar os devedores, e por volta de 1830 a família já estava livre de dívidas.

No período posterior à morte de seu pai, Maria ela se dedicou a completar o livro de memórias de seu pai (1820), escreveu apenas mais um romance, Helen (1834). Além de cuidar da propriedade da família, e também se engajava nas tentativas de melhorar o padrão de vida dos habitantes da região: ela providenciou escolas para as crianças locais, e trabalhou para ajudar dos camponeses irlandeses atingidos pela fome que abateu a região no período de 1845 a 1849.

No início do século 19, Edgeworth foi uma das romancistas de maior sucesso comercial na Grã-Bretanha e usou sua renda para ajudar sua família. Ela foi nomeada membro honorário da Royal Irish Academy em 1837, e, entre seus admiradores, estavam Jane Austen, Byron, Stendhal, Turgenev, Trollope e Thackeray. Além disso, ela era muito amiga do escritor Walter Scott.

Edgeworth usou sua ficção para expressar sua opinião sobre questões controversas de sua época: em sua ficção, ela combatia as representações caricaturadas de pessoas irlandesas, apoiava a Emancipação Católica, advogava pelo direito de as meninas serem educadas em pé de igualdade com os meninos, e apoiava bem uma maior participação política das mulheres de classe média. Entretanto, ela também é conhecida por ser bastante severa com inquilinos que não pagassem o aluguel, e punia os que não votassem nos conservadores.

Ela morreu de ataque cardíaco em 22 de maio 1849, aos 81 anos. Maria Edgeworth é chamada por alguns como a “Jane Austen irlandesa”, e Austen era uma grande admiradora de seu uso de humor e ironia.

Assim como Frances Burney, Maria Edgeworth examinou, em sua obra, os preconceitos a que estavam sujeitas as mulheres de seu tempo, e expos, de forma sutil e cômica, o absurdo desses preconceitos, de modo a incentivar os leitores a enxerga-los, por meio do humor, e a rir deles. E é sobre seu segundo, e talvez mais famoso romance, o predileto de Austen, Belinda (1801), que falarei agora.

“Minhas atitudes, todo o curso de minha vida futura, mostrarão que não sou bruta. Até os brutos são vencidos pela bondade. Veja bem, meu senhor”, continuou ela, sorrindo, “eu disse que fui vencida, mas não domada! Uma Lady Delacour dócil seria um animal lamentável, ao qual não vale a pena sequer dirigir olhar.”- Maria Edgeworth, Belinda


Em Belinda (publicado pela primeira vez em 1801, e revisado e alterado em 1810), a autora parece manejar uma espada de dois gumes: de um lado, ela defende a ideia de que as mulheres são capazes de fazer escolhas fundamentadas e, portanto, exercitar a liberdade; e, de outro, ela também parece defender a ideia de que as mulheres só podem ser livres se renunciarem à esfera pública e se limitarem a exercer uma espécie de liberdade pessoal e privada: a liberdade de seguir sua própria consciência individual ao lidar com assuntos domésticos, mas não a liberdade de ingressar e atuar na esfera pública.

Nossa protagonista, Belinda, é uma garota órfã de dezessete anos, enviada a Londres, para morar com Lady Delacour, uma anfitriã da moda da sociedade. A tia de Belinda, a sra. Stanhope, que tem a reputação de caçadora de fortunas e casamenteira manipuladora, tenha entabular uma amizade com Lady Delacour, na esperança de encontrar um bom marido para Belinda.

A princípio, nossa protagonista se sente deslumbrada com o glamour do mundo de Lady Delacour, mas logo descobre que, por trás da persona pública dela, há uma mulher profundamente infeliz: que briga constantemente com seu marido, um homem dissoluto, e que parece estar apenas preocupada com sua popularidade nos altos círculos de Londres. Afastada da filha, Lady Delacour parece à deriva em um mundo permeado por intrigas, competição feroz, e frivolidade. Belinda percebe que Lady Delacour pode não ser um bom modelo para ela e fica enojada com as manipulações necessárias dessa Lady para manter esse mundo raso sempre girando ao seu redor.

Para piorar as coisas, parece que Lady Delacour está morrendo de um ferimento canceroso no peito, um segredo que ela guarda de todos, exceto da sua criada e de Belinda. Embora sinta que está desperdiçando sua vida por nada, Lady Delacour está determinada a manter sua personalidade animada e a continuar suas aparições públicas pelo maior tempo possível, mesmo que precise pagar com sua saúde e, finalmente, com sua vida.

Nossa protagonista, no entanto, consegue atravessar a máscara de Lady Delacour, e é a primeira pessoa a oferecer uma verdadeira amizade a ela. Nós as seguimos, muita coisa acontece, Belinda tenta reformar Lady Delacour, depois se apaixona, é cortejada por um grupo de homens casadoiros (ou nem tanto), é vítima de intrigas, e coleciona um bom número de amigos e inimigos.

A história tem um bom ritmo, e os capítulos geralmente terminam em cliff-hangers, o que nos leva a sempre querer saber mais, e avançar por uma série de mal-entendidos, suposições falsas e intrigas domésticas. Uma das deficiências do livro, no entanto, é o fato de que, para passar sua mensagem, a autora trata a maioria dos personagens como estereótipos: Vincent, um homem miscigenado, herdeiro de uma riqueza obtida por meio de plantações na Jamaica, é um jogador; Harriet Freke, a chamada mulher masculina, é uma paródia do feminismo; Juba, o criado negro, é retratado como um bon sauvage, ingênuo e leal; Salomão, o judeu, é um usurário.

Em sua primeira (1801) e segunda (1802) edições, o romance aborda o tópico (na época controverso) do casamento inter-racial entre personagens: Juba, o criado africano na plantação de Vincent na Jamaica, casa-se Lucy, uma garota do campo inglesa; e Belinda chega a ficar noiva de Vincent. A terceira edição do romance, porém, publicada em 1810, alterou essas partes e eliminou os relacionamentos interraciais, para que o livro pudesse ser incluído em uma série que define o romance britânico. Especula-se que a autora tenha feito essas mudanças por insistência de seu pai.

Seja como for, o cerne do livro está em outro lugar: aqui temos a história de uma garota que se torna uma mulher autoconfiante, ao aprender com os erros dos outros e ousar pensar por si mesma e acreditar no próprio julgamento, mesmo quando isso significa correr o risco de nadar contra a maré.

Em muitos aspectos, esse é um romance convencional de sua época, ao descrever os percalços por que passa uma garota em busca de um bom casamento – o que, por sua vez, é retratado como a única ocupação respeitável para as mulheres. O romance se distingue, no entanto, por retratar as mulheres como capazes de pensamento racional e autocontrole, bem como por um certo progressismo moderado: combinando virtude moral, racionalidade, e pensamento independente, Belinda é uma personagem que frequentemente se recusa a se submeter à autoridade de outros; ao se concentrar no desenvolvimento de sua própria bússola moral e bom senso, ela gradualmente se torna a figura de quem todos dependem. Ela toma suas próprias decisões e assume total responsabilidade por suas escolhas.

Em Lady Delacour e Belinda, também temos um retrato matizado da amizade feminina que escapa aos estereótipos comuns de competição e traição. A dupla também encarna o conflito entre razão e emoção, bem como entre a liberdade individual e os limites da sociedade: enquanto Belinda defende o amor e o dever racional, Lady Delacour defende a paixão e a liberdade. No entanto, a idéia de liberdade diante das restrições da sociedade deve ser tomada aqui com um grao de sal: embora seja verdade que Lady Delacour, alegando que o amor não está vinculado à razão, é um espírito livre nas questões do coração; também é verdade, ao mesmo tempo, que, por querer ser admirada e manter uma personalidade pública, ela desfruta de menos liberdade do que Belinda quando se trata de fazer suas próprias escolhas pessoais.

Belinda está em constante fluxo entre os dois extremos representados por Lady Anne Percival – uma mulher casta, modesta e maternal, a personificação da bem-aventurança doméstica, mas desprovida de paixão – e Lady Delacour – o aristocrata extravagante e dissipada, que, no entanto, é fiel e fervorosa em seus afetos, sejam bons ou ruins.

Além disso, a jornada de amadurecimento de Belinda se contrapõe à de dois outros extremos: Harriet Freke – a crossdresser, que proclama a superioridade das mulheres em relação aos homens e até se atreve a influenciar a política, uma caricatura das feministas – e Virginia St. Pierre – uma órfã criada por um dos pretendentes de Belinda para ser a esposa perfeita dele, uma mulher mantida como um “crianca da natureza”, intocada pela educação e cultura.

Ao contrastar Belinda com essas duas figuras aparentemente opostas, a autora parece defender com firmeza a educação feminina: Harriet e Virginia são mulheres sem instrução que, deixadas por conta própria, quase levam ao desastre: Virginia, por sua falta de experiência no mundo exterior, e pela leitura não regulamentada de romances; Harriet, por outro lado, tem muita experiência, mas carece de educação disciplinada e, como uma paródia da imagem de uma feminista do final do século XVIII, ela evita a leitura em favor da imitação de slogans vazios.

Diferentemente da Virgínia, Belinda educa sua mente através da leitura da filosofia moral (não de romances), e também se beneficia de sua experiência fora do âmbito doméstico, quando exposta aos círculos sociais de Lady Delacour. Também diferentemente de Harriet, Belinda defende a educação da mulher como uma forma de desenvolvimento pessoal, mas também descarta outras atividades tradicionalmente classificadas como masculinas, e o faz por considera-las não são dignas nem apropriadas para uma mulher.

Mais do que um romance de formação de Belinda, para mim, este é um romance sobre a domesticação de Lady Delacour, que é a personagem que rouba a cena: o verdadeiro desenvolvimento do caráter aqui é o de Lady Delacour – marcada por uma ferida física como uma espécie de castigo por sua arrogância e pela personificação de sua deficiência moral, gradualmente aprende a reformar seus caminhos.

E a força do romance, para mim, reside precisamente no fato de que essa domesticação não é inteiramente bem-sucedida. Lady Delacour, como uma força da natureza, nunca está completamente contida: se é verdade que ela desiste de sua vida na esfera pública em favor de um papel doméstico mais forte, também é verdade que ela consegue manter seu lugar no centro palco; ao invés de submissa ao marido, ela é parceira do marido.

Lady Delacour nunca apaga a chama de sua subjetividade apaixonada, nem aceita um papel passivo, mas consegue manter seu espírito independente – e, como prova disso, a autora nos oferece um final um tanto quanto pós-moderno, em que Lady Delacour orquestra o encerramento do romance, vira uma coisa meio meta, como se ela fosse a autora. Durante todo esse tempo, temos a impressão de que o romance segue Belinda, mas, no final, quem realmente passou por um processo de formação foi a personagem coadjuvante (que é a personagem complexa do romance).

Posso terminar o romance para você?”, ela pergunta – e essa sutil transgressão parece o emblema perfeito do ato de escrever para a uma mulher do final do século XVII e início do século XIX: escrever seria uma rápida invasão à esfera pública, pela qual a autora, pressionada pela ameaça dessa faca de dois gumes, consegue desafiar sutilmente o próprio código de propriedade que ela parece defender no livro.


É isso, pessoal. Há uma tradução brasileira do romance Belinda, por  Bianca Costa Sales, pela editora Pedra Azul. E, como a Leticia do perfil mamãe literária lembrou la no instagram, há também uma tradução brasileira do romance que abordei no episódio anterior, Evelina, de Frances Burney, a tradução é de Gabriela Alcoforado, também pela editora Pedra Azul.

Se vocês tiverem algum comentário, sugestão, critica, ou pergunta, ou mesmo se quiserem participar do podcast, basta entrar em contato comigo por minhas redes sociais, que estarão linkadas nas show notes desse episódio. Eu sou @blankgarden no Instagram, e @ablankgarden  no Twitter. Caso vocês oucam o podcast no aplicativo Anchor, vocês também podem me mandar mensagens de voz por lá. Se tiverem interesse de saber mais sobre Maria Edgeworth, deixarei uma lista de livros sobre a autora na página do podcast. Todos os links vocês encontram no box de descrição desse episódio.

E agora eu tenho uma pergunta para você que me ouviu até aqui: Voce já leu algum livro de Maria Edgeworth? Voce acha que ela ainda merece ser lida? Quais a semelhanças e diferenças você pode notar entre essa autora e Jane Austen?

E so deixar sua opinião ou comentário nas redes sociais do podcast.

Muito obrigada por terem escutado até aqui. Espero que tenham gostado, e até o próximo episódio!


Esse episódio foi escrito, produzido e apresentado por Juliana Brina, em dezembro de 2019. A musica tema foi baseada na peça Ein musikalischer Spaß, composta por Wolfgang Amadeus Mozart em 1787, executada pelo Vienna Mozart Ensemble, com direção de Willi Boskovsky.


Caso tenha alguma sugestao ou queira participar de algum episódio do podcast (é tudo caseiro, nao se acanhe), é só entrar em contato comigo. Basta comentar aqui ou me enviar uma mensagem por meio de minhas redes sociais: Instagram / Twitter / Blog / Outros

Caso tenha interesse em comprar quaisquer dos livros citados nesse episódio, considere usar meu link de afiliado. Para cada livro que você compra usando este link, eu ganho uma pequena comissão – você não paga nada a mais por isso, e o frete é grátis em todo o mundo. Você também pode doar qualquer quantia de dinheiro para o podcast. Obrigada ❤

Até o próximo episódio,

J.

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